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dear cinema

Críticas simples e curtas.

While we're young (2014) aka 1 filme para não nos sentirmos mal por invejarmos a coolness dos mais jovens e nos sentirmos bem por na verdade gostarmos é de ir para a cama à meia-noite

por rita ralha, em 23.06.15

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Eu, que estou numa idade em que, se digo que sou velha, levo com raios à lá Cyclops da malta over 35, mas se digo que sou nova, estou a roçar a mentira (as mães com crianças pequenas na rua já dizem "cuidado com a senhora") , só posso dizer que pelo menos saí da sala de cinema com a confiança de que envelhecer traz muitas coisas boas:

 

1) A capacidade de evitar com maior frequência atitudes ridículas, na sua maior parte fruto do gene know-it-all que parece que só ser expurgado do corpo humano lá para os 20 e muitos (será aos 30?? ainda estou à espera...)

 

2) O facto de se saber cada vez mais do que se gosta e do que não se gosta, o que se quer e o que não se quer.

 

Toda esta filosofia chique para dizer que este filme é divertido e incisivo. Outras coisas boas: tem o Ben Stiller a fazer um papel normal (o que sabe sempre bem, sobretudo quando há Zoolanders no horizonte), tem o Mr. Girls (a representar alguém on the road to hipster success tal como ele próprio o tem estado a alcançar) e tem música bonita do James Murphy.

 

Vão ver.

 

7/10 

Big Eyes (2014) aka o 1º filme de Tim Burton sem ossos, mortos, navalhas ou o Johnny Depp

por rita ralha, em 04.03.15

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Disclaimer: Eu confesso, sou uma pessoa que adora a Amy Adams no matter what. Faça o que fizer, ela impressiona-me sempre, sempre. 

 

E Big Eyes não é uma exceção. Por mais exuberância que o Christoph Waltz nos mostre, é a fragilidade da Amy que sobressai e que dá brilho ao filme (as cores psicadélicas também ajudam, vá).

 

De forma geral, é um filme giro e giro pode parecer aquela palavra de crítica preguiçosa, mas é mesmo a palavra certa para este caso. Vê-se bem, mas a nossa vida não perde nada se não o virmos. Vá, leva mais um ponto por ser do Tim Burton e ele ter resistido a não trazer o seu eterno charme gótico/qualquer-outro-adjetivo-semi-negro-que-queiram-utilizar (eu tenho autorização para dizer isto porque sou capaz de ver o Edward Scissorhands em repeat).

 

6/10

 

P.S.: Eu quero muito ser a Amy quando crescer <3

The theory of everything (2014) aka uma visão doce de um destino cruel

por rita ralha, em 25.02.15

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Sim, é um bom filme com boas performances, não negarei o óbvio. É uma história de amor entre duas pessoas que viveram uma realidade dolorosa que nos é harmoniosamente apresentada por desempenhos credíveis.

 

Ainda assim, não consigo deixar de pensar que não saí da sala particularmente elucidada sobre as descobertas de Hawking, nem fiquei a conhecer aprofundadamente a maneira de ser de cada um dos dois (Stephen Hawking e Jane, a mulher). Ansiava por ver mais cenas de gritos (humanos e/ou robóticos) e irritações, algo que tipicamente imagino estar associado a uma vida preenchida por momentos tão difíceis como deve ter sido a deles (se calhar até foi assim “doce" como o filme a apresenta e eu é que já tenho desejos por níveis anormais de carnificina). Para mim tinha sido muito mais interessante focarem os curtos anos desde a descoberta da doença até ao instalar dos danos mais severos.

 

No fundo, acho o foco do filme acaba mais por ser o passar do tempo do que a angústia dos retratados (o que de certa forma deve agradar ainda mais ao Stephen Hawking).

 

7/10

Whiplash (2014) aka a prova de que não é preciso algo complexo para ter um filme awesome

por rita ralha, em 04.02.15

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INTENSO é a palavra que me vem à cabeça quando penso neste filme (e já passou uma semana desde que o vi). Não pensem pelo título do post que o filme não tem história. Tem, é excelente e é maravilhoso ver como tudo se desenrola apenas e somente (duas palavras diferentes para dizer exatamente o mesmo, para que percebam que é mesmo isto) em torno de 2 egos monumentais e uma bateria.

 

J. K. Simmons assombra este filme e sets the bar para um Miles Teller que, à medida que os minutos vão passando, nos mostra que é fresco, mas que também veio para ficar (e que faz mais do que 'Project X's - filme a ver - e 'Divergent's).

 

Impossível terminar sem mencionar a espetacularidade da última cena do filme (Oscar para Melhor Montagem, por favor) que levará qualquer ser humano amorfo a sentir vida e emoção gritantes nas suas veias tranquilas.

 

Bom cinema, pá!

 

9/10

(adorei, mas no meu coração o Birdman está ainda um bocadinho acima)

Exodus (2014) aka Como pagar 6eur por momentos de tortura

por rita ralha, em 23.01.15

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Um dos mandamentos que rege a minha vida (para além de me recusar a atravessar estradas fora da passadeira - call me a wuss, see if i care) é ver todos os filmes que o Christian Bale faz. Digamos que temos uma relação próxima desde que eu tinha 13 anos e vi o Império do Sol. Vá, somos uma espécie de amigos por correspondência (unidirecional, de cá para lá, naturalmente). Assim, foi com alguma segurança que me sentei numa sala de cinema e me preparei para ver 2h de Christian "Marry Me Rita" Bale.

 

Ao intervalo, atirei repetidamente a cabeça contra a cadeira da esquerda para a direita e da direita para a esquerda e guinchei ohmeudeusistoaindasóvaiameio!!!

 

Penso que esta frase sintetiza bem o que achei do filme, mas de qualquer forma vou tentar ser ainda mais clara: é impossível sentirmos qualquer coisa por alguma das personagens; o argumento é pouco pessoal e desinteressante; é simplesmente como se estivessemos a ver um documentário (chato) sobre a vida de Moisés. Qualquer leitura rápida da página da Wikipédia sobre o tema teria proporcionado melhor entretenimento.

 

E não se deixem iludir por pensarem que o realizador é o Ridley Scott, que fez coisas grandes como o Gladiador. Não percam tempo com este filme (sorry, Chris! :( xoxo).

 

3/10

 

The Imitation Game (2014)

por rita ralha, em 21.01.15

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[Vou abrir com o que interessa, obviamente] Benedict Cumberbatch mostra-nos mais uma vez que foi feito para estar em frente às câmaras e que é melhor que todos a transmitir níveis elevados de emoção nas escalas "angústia" e "superioridade".

 

A história é interessante, mas mais pela ansiedade que se cria em nós por querermos perceber como e quando se vai descodificar a Enigma, do que pelas personagens e o enredo que nos são apresentados.

O foco do filme deambula entre a arrogância e determinação do Turing em desvendar o desafio que tem pela frente e os seus problemas pessoais de solidão e desencaixe social, mas de uma forma pouco aprofundada, acabando cada um dos pontos por saber a pouco explorado

 

Se calhar estou a dizer muitas coisas negativas, mas para um filme nomeado para melhor filme, melhor realizador e melhor argumento adaptado, esperava sair da sala com uma sensação de impacto maior.

 

Exercício prático - Preencha o espaço em branco:

A Keira está nomeada para o oscar de melhor atriz secundária porque _______________.

 

6/10

Birdman (2014)

por rita ralha, em 18.01.15

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Provavelmente a estrela de 2014, because Hollywood loves a good comeback (e de ver o Ed Norton in his underwear).

 

Birdman será potencialmente um daqueles filmes intensos que tipicamente não cai bem no estômago de todos. É aquele sabor a fígado que uns acham divinal, mas que a outros causa arrepios de dissabor.

 

Para mim, Birdman tem bastante mérito por todo o conjunto que nos apresenta: uma história bem desenhada, com diálogos intensos (quase monólogos) e com performances de deixar cair o queixo, em particular do Edward Norton e do Michael Keaton (por esta ordem - não esqueçamos, por favor, que o Ed foi a minha primeira movie crush, circa 1999, ano do glorioso Fight Club) tudo envolvido numa música de inquietude e em planos de sequência que tão bem deixam transpirar a falta de auto-confiança e insegurança da personagem principal (e por vezes das restantes personagens).

 

Fez-me lembrar alguma da "doce angústia" que se sente a ver Adaptation. Uma experiência diferente que me impressionou e me fez sentir admiração pela visão de quem esteve por detrás da câmara.

 

9/10

Boyhood (2014)

por rita ralha, em 13.01.15

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Ver o Boyhood é uma experiência de realidade. Se é real porque é uma história bem escrita, simples e um retrato puro de uma vida igual à de tantas pessoas ou porque é uma história que nos mostra 12 anos de crescimento verídico, não sei bem dizer.

 

Sei apenas que me soube a vida a sério, tal como os gelados Santini me sabem a fruta verdadeira.

 

É um filme doce que deixa uma vontade imensa de ligar à Patricia Arquette e ao Ethan Hawke a perguntar se não me podem levar a almoçar e dar uma volta no parque no próximo sábado.

 

É grande a probabilidade de ser mais um "The Artist" e arrebatar os best pic awards da temporada graças à sua natureza atípica (mas, é um combo tão perfeito de conceito, atores e argumento que desta vez não faz mal!).

 

8/10

 

 

The Hobbit: The Battle of the Five Armies (2014)

por rita ralha, em 08.01.15

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[Contexto] Numa escala de 1 a 10 (em que 1 é alguém totalmente a leste de um "myyyyy precious" e 10 é alguém que escreve as listas de compras em élfico), eu estou claramente no 6. Li e vi os Lord of the Rings e como boa cidadã do mundo respeitadora do trabalho do Peter Jackson fui ver os "Hobbit"s.

 

O primeiro (já lá vão dois anos, não vou conseguir ser muito específica) agradou-me; não conhecia a história e gostei de revisitar aquele mundo (ia dizer Terra Média, mas achei que ia soar demasiado nerd para rapariga). O segundo agradou-me ligeiramente mais, claramente graças à alegria histérica de poder ver o Sherlock e o Watson de novo no mesmo ecrã (mas com roupinhas substancialmente diferentes). Já este terceiro... NOT SO MUCH, sobretudo devido à sensação "hmm, já está tudo resolvido? falta só uma batalha?" a 1/3 do filme (a minha cara estava com a mesma expressão de wtf que a do Bilbo na foto ali de cima). 

 

É triste quando a pressão da máquina capitalista (não sou pro-Marx, relax) de Hollywood força este esticar da corda e transforma aquilo que poderia ter sido um conjunto de dois filmes ok (ou de um só filme brutal) numa trilogia extreeeeemaaaaaameeeeeente paaaaaraaaaaadaaaaaa, proporcionando um terceiro filme altamente dependente do anterior e matando a lição clássica do "ah, uma história deve ter três actos".

 

Rezo por um natal de 2016 em que as criancinhas possam comprar o pack de dvds, que nos extras trará a possibilidade de ver a história numa leva só, sem momentos ver a relva a crescer.

 

5/10

 

Foxcatcher (2014)

por rita ralha, em 05.01.15

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The world's best boss becomes the world's ickyest boss

 

[Contexto] Pelo Steve Carell, eu ia a qualquer lado. Pronto, pelo Michael Scott (pessoas incultas, consultem a vossa cábula), eu ia a qualquer lado. Coerentemente, fui ver o Foxcatcher (o que é que se passa este ano que todos os filmes têm títulos de uma só palavra?). Essencial acrescentar também que eu sou uma sucker por atores que fazem papéis 180º graus diferentes do habitual - naturalmente, depois de ter visto o trailer, fui para a sala de cinema com todo o meu kit de cheerleader e gritei S-T-E-V-E como se não houvesse amanhã.

 

Não vou dizer que é um filme que se arrasta, mas é um filme que demora o seu tempo e não está com preocupações de nos levar depressa ao final. Ficamos a conhecer a personagem de Carell exatamente ao mesmo ritmo que a personagem do Channing Tatum o faz e, para mim, isso foi chave para sermos embalados pelo ritmo calmo e apanhados de surpresa nos picos do filme.

 

Faz pensar em como a solidão pode levar as pessoas por diferentes caminhos e quão distintos são os ideais de sucesso que cada um estabelece para si próprio.

 

Gostei e acho que o Steve mereceu as diversas nomeações.

7/10