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dear cinema

Críticas simples e curtas.

Synecdoche, New York (2008)

por rita ralha, em 30.07.09

Para não variar, Charlie Kaufman escreveu mais um argumentozinho (e se há altura em que este -zinho é completamente irónico, é esta) mirabolante, começando num ponto e acabando noutro completamente distante e incrivelmente sombrio e, sadly, real. Um filme que começa por parecer algo pequeno e pessoal, mas que, no final, se descobre que é um projecto ambicioso e forte causador de uau!s pelo que nele se faz, diz e retrata.

Um filme para quem adorou Adaptation (não basta ter gostado do ESOTSM)

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Genova (2008)

por rita ralha, em 05.07.09

 

Um olhar agradável sobre o recomeço da vida de uma família num lugar novo, quer física, quer interiormente.

Cores e músicas bonitas. Vontade de morar em Génova.

Really nice.

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Fireflies in the Garden (2008)

por rita ralha, em 24.05.09

Começo a achar que muitos bons actores todos juntos numa hora e meia de filme acaba muitas vezes por ser um desperdício de orçamento/tempo. É como finalmente conseguir andar com o grupo de miúdas fixes da escola, para depois descobrir que elas só falam de futilidades. Fireflies in the Garden dá pouco material aos seus actores para trabalharem e a elevada reputação destes apenas serve para desiludir ainda mais o espectador (i.e. eu), pois fica-se sempre à espera de mais. A história não traz completamente nada de novo e permanece o saborzinho de que a personagem principal é um maricon sem balls com demasiadas lamentações.

Defeito(zõe)s à parte, não é muito aborrecido e até se fica com alguma curiosidade para descobrir "a história".

Para ver de graça na televisão daqui a 2 anos.

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Married Life (2008)

por rita ralha, em 08.05.09

Married Life é uma história sobre casamentos, fidelidades, infidelidades e a necessidade de felicidade máxima. Não é nenhum Closer, mas é uma perspectiva interessante sobre um tema algo semelhante, versão anos 40. Mostrando como se pode amar tanto uma pessoa a ponto de a querer matar apenas para evitar o seu sofrimento, o filme acaba por tomar um rumo inesperado, conseguindo prender a atençao. Fora isto, permanecem as sensações de que: o elenco tinha mais para dar e merecia melhor argumento; alterna, para seu prejuízo, demasiado entre o dramático e o alegre e, talvez consequentemente, é acompanhado por uma narraçao feita num tom demasiado leve para o sentimento muito pesado vivido por uma ou outra personagem.

Outro realizador e talvez tivesse ido mais longe.

Mesmo não sendo mau, fica longe do bom. Come-se.

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Choke (2008)

por rita ralha, em 29.03.09

Choke não foi o que eu sempre sonhei, mas esteve à altura do desafio! Escrito pelo génio Chuck Palahniuk (o autor de Fight Club), Choke foi para mim um livro espectacularmente bom (assim como tudo o que li dele so far), daí as minhas elevadas expectativas e intenso medo de que o filme saísse uma borrada total. Facto é que não saiu. O argumento é fidelíssimo ao livro e as personagens são precisamente aquilo que se imagina quando se o está a ler. O ambiente do filme acaba por roçar um pouco a comédia e nisso foge ligeiramente à história do livro, o que me entristeceu um pedacinho, pois o mais impressionante de Chuck Palahniuk é precisamente a sua capacidade de relatar com exactidão a necessidade de rebelião do ser humano face à sociedade normal através de formas francamente agressivas (o que em geral nos seus livros não soa a comédia, mas sim a um desespero estranhamente familiar).

Um bom bom filme. Recomendo (se lerem o livro, então entram para o meu top ten de pessoas fixes).

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Last Chance Harvey (2008)

por rita ralha, em 06.03.09

Nas palavras de um amigo sobredotado, o filme sobre a mulher elefante e o minorca.

Este é um filme, como provavelmente muitos jovens diriam, para velhos. Um filme sobre o (muitas vezes difícil) romance entre pessoas de meia idade. É um pouco parado, tem uma história vista e revista, mas apresenta até o ocasional momento engraçado e/ou enternecedor. Um filme com boas performances, mas que ganhava muito mais se tivesse sido feito na versão romance-drama, em vez da versão romance-com-pedaços-de-comédia. Para ver numa tarde chuvosa e feia na TVI, no caso de não estar a dar o Titanic.

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Valkyrie (2008)

por rita ralha, em 02.03.09
valk

Valkyrie podia ser muito mais do que aquilo que acabou por ser. Um filme sobre um dos temas mais interessantes da História (escusado será dizer, na minha opinião) e, mesmo assim, não consegue atingir a intensidade que tal tema merecia. Tom Cruise está bem. Os outros senhores estão todos bem. Vê-se muito bem (mais que não seja porque a esperança (inútil) de que ele consiga matar o Hitler nunca morre), mas tinha potencial para muito mais.

Valkyrie é o aluno que estuda para o 12.

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The Duchess (2008)

por rita ralha, em 02.03.09

duchess3.jpg

 

Começo realmente a achar que há alguém cuja profissão consiste em encontrar filmes para a Keira Nightley que reunam as seguintes três condições:

- tem corpetes? check

- passa-se antes de 1950? melhor ainda, antes de 1900? check

- tem um fancy sotaque? check

3 checks? A Keira está lá batida.

 

The Duchess desenvolve-se em torno da personagem de Keira e tenta mostrar um bocadinho do crescente poder feminino. Ralph Fiennes dá a sua melhor apatia de sempre e não salva em nada o filme. The Duchess tenta ser um Marie Antoinette, mas falha miseravelmente (apesar do cabeção semelhante entre as duas senhoras). Não é especialmente interessante.

 

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Revolutionary Road (2008)

por rita ralha, em 19.02.09

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Sem medo de acusações de wannabe-expert-em-fancy-filmes, vou lançar o cliché: sabemos que um filme vai ser bom, quando o trailer não tem diálogos, mas apenas musiquinha (lembremo-nos do mais recente filme da Rainha Sofia Coppola  - já pisámos o mesmo chão, btw). O trailer é atraente, de facto, e a clichézerrima Cat Power só ajuda.

 

Este é um filme feito de actuações poderosas de Kate+Leo e de uma história que não é nova, mas que, simplesmente, foi escrita de uma forma que causa espanto constante pela quantidade de coisas acertadas que são ditas.

 

Um retrato realista de como o desejo ardente de fazer o que realmente se gosta perde sempre perante a existência da opção fazer o que é mais fácil. Um retrato de uma época ainda tradicionalista, em que a única pessoa que compreende e aceita a viabilidade de se perseguir um sonho tem uns parafusos a menos. Um retrato assustador de que o amor não chega e que a conversa do "depois aprendes a gostar, vais ver" pode levar a muitos lados, mas à satisfação e realização próprias não leva certamente.

 

i wanna feel things... how's that for an ambition?

 

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Milk (2008)

por rita ralha, em 17.02.09

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Às vezes, há actores tão bons, tão bons, que, quando se vêem em papéis extraordinários, chegam a fazer-nos esquecer de que são na verdade uma pessoa real, para além daquela [personagem] que estão a retratar. Sean é magnífico, e é tão magnífico, que eu continuo a achar que ele é um político/activista gay (mas vivo) chamado Milk, ainda hoje.

 

Gus Van Sant soube pegar numa história com um tema forte e importante sobre um homem de grandes feitos e soube contá-la bem! Não é nada deprimente, nem pró-gay (nem pró-hetero, já agora) (ao contrário do que eu esperava – mas também, pouco sabia) e tem o lado vantajoso de acrescentar um ponto na minha enciclopédia mental de História.:)

 

Cinco estrelas pelos actores, pela boa história, pela boa realização e pela oportunidade fantástica de ver jovens e bonitos actores em t-shirts justas.

 

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