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dear cinema

Críticas simples e curtas.

Everest (2015) aka muita neve, pouca visão

por rita ralha, em 26.10.15

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Pouca coisa bate ver o Jake Gyllenhaal a apanhar banhos de sol em tronco nu numa encosta branquinha do Evereste (vá, estou a exagerar, já o vi muito mais hot em vários outros filmes - Jarhead, por favor ). Mas no que diz respeito à história deste filme, a verdade é que o peito semi-peludo do Jake é efetivamente melhor do que grande parte do que se passou no ecrã.

 

De forma geral, as personagens são um pouco amorfas e misturam-se em torno de um traço comum: quererem muito escalar o Evereste. Um ou outro são mais prudentes, outros mais desmedidamente ambiciosos, mas a verdade é que o argumento não chega a aprofundar aquilo que tornaria o filme substancialmente mais humano: as razões pelas quais cada um deles decidiu fazer uma trouxa e arriscar o pescoço para (tentar) escalar uma montanha e que aquilo que deixou para trás.

 

6/10

 

Sicario (2015) aka stress, sangue e tiros bons para roer o estômago

por rita ralha, em 26.10.15

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Depois de uma série de filmes que não deixaram grande marca na minha memória (ver últimas 3 ou 4 críticas), chegou finalmente este presente de Natal antecipado. Perfeito para me causar algum desconforto e boquiabertismo, enquanto sentada na cadeira.

 

Gosto sempre de ver filmes em que os autores não sentem a necessidade de nos mostrar uma narrativa estendida durante dias ou semanas de ação. Basta-lhes a perícia de mostrar com intensidade altamente invasiva um pequeno momento das vidas de algumas pessoas (assim semelhantes lembro-me de Fury e Whiplash).

 

O Benicio del Toro mantém a sua eterna cara acabei de vomitar, mas compensa com uma grande atuação silenciosa, excelente para lembrar que atuar tem muitas vezes mais de expressões e gestos do que de palavras.

 

Bom filme. Ide ver.

 

8/10

The Martian (2015) aka porque para Matt Damon não chegava ter estado sozinho no espaço em 1 só filme

por rita ralha, em 21.10.15

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Confesso que nunca fui amante do Matt Damon (na verdade sempre achei que ele era meio bleh, tal como o seu brother in arms Ben Affleck), mas de alguma forma caem-lhe sempre em cima papéis principais em filmes bastante cativantes (vá, dou-lhe o desconto por causa do The Informant!, filme em que a sua blehness é perfeita para a personagem em causa).

 

Ator principal à parte, a história é interessante, ou não estivessem HUMANOS a explorar MARTE!! E só isso é já uma premissa muito forte para me prender (sou uma sucker por tudo o que são filmes sobre o espaço e aliens), no entanto pareceu-me contada de uma forma demasiado leve e agradável. Senti que faltava desespero, mais coisas a correrem mal para se ficar com a sensação de que de facto a coisa podia não correr bem para os heróis da história (um exemplo prático: eu sabia que o Harry ia sobreviver ao Voldemort, mas até ao final finalinho continuava a tremer com medo de que assim não fosse).

 

Alguém ou algo que li dizia "é um MacGyver do espaço" e para mim é de facto a descrição perfeita. Cheio de peripécias interessantes, mas leve na intensidade.

 

7/10

 

 

Black Mass (2015) aka mais um filme de cinemeh

por rita ralha, em 13.10.15

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Acho que Black Mass ambicionou ser um The Departed ou um Goodfellas, mas ficou-se por algo que mostra apenas (ainda que muito bem) quão assustadora era a figura principal desta história, sem conseguir causar o clima de ansiedade, frustação e medo que se espera estarem associados a temas de malta mafiosa que é capaz de matar só porque o outro o viu pestanejar.

 

Falta-lhe emoção, apesar de ter um Johnny Depp impressionante.

 

O que eu realmente senti depois de sair da sala de cinema: meh...

 

6/10

The Irrational Man (2015) aka como o Woody conseguiu por-me literalmente a dormir

por rita ralha, em 13.10.15

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Disclaimer: obriga-me a ética a mencionar que adormeci durante alguns segundos do filme (quem sou eu?!), pelo que esta crítica incide apenas sobre cerca de 97% da obra.

 

Cedendo à fácil e óbvia tentação de fazer uma piada com o título do filme, o Woody devia estar deveras irracional quando escreveu este argumento ou não fizesse esta história lembrar assustadoramente o Match Point (mas em versão muito mais fraca). E para mim não há desinteresse maior que estar a ver algo não sabe a novo.

 

Não tenho muito mais a dizer. Talvez apenas acrescente que sempre que vejo dad bods em alguns dos papéis principais fico espetacularmente feliz e penso que há esperança para todos os atores e atrizes que ousam comer hidratos de carbono e pacotes inteiros de bolachas de uma só assentada como todo o resto da humanidade.

 

5/10 

Mission Impossible: Rogue nation (2015) aka Como o Tom Cruise mantém o seu physique

por rita ralha, em 04.08.15

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Disclaimer: Por mais sofás para que o Tom Cruise salte, por mais dinheiro que ele dê a uma igreja que acredita em ditadores intergaláticos, vou sempre ser uma fiel fã (quem ainda não é, faça um favor a si próprio e ocupe o agosto a (re)ver: Risky Business, Rain Man ou Jerry Maguire).

 

Este filme faz jus aos seus antepassados e presenteia-nos com todos os ingredientes essenciais da saga, conseguindo não ser um filme-de-ação-só-para-rapazes (em caso de dúvida sobre o conceito, ver The Expendables, eu só vi 1/3, porque dormi durante o tempo restante): peripécias de extrema dificuldade física, perseguições aceleradas, murros e pontapés perfeitamente sonorizados e as clássicas pitada de romance e piadas suaves.

 

Dito isto, acho que nunca numa Missão Impossível estive tão por dentro do que se estava a passar (vs. só nos últimos 10m de filme perceber quem é quem), o que de certa forma me deixou a ansiar ligeiramente por um enredo com mais intriga.

 

Em suma, e porque eu não gosto de falar muito tempo sobre o mesmo tema, é um bom filme de ação e serve bem para preencher uma qualquer tarde de domingo passada prequiçosamente sobre o sofá de comando em riste.

 

6/10

 

While we're young (2014) aka 1 filme para não nos sentirmos mal por invejarmos a coolness dos mais jovens e nos sentirmos bem por na verdade gostarmos é de ir para a cama à meia-noite

por rita ralha, em 23.06.15

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Eu, que estou numa idade em que, se digo que sou velha, levo com raios à lá Cyclops da malta over 35, mas se digo que sou nova, estou a roçar a mentira (as mães com crianças pequenas na rua já dizem "cuidado com a senhora") , só posso dizer que pelo menos saí da sala de cinema com a confiança de que envelhecer traz muitas coisas boas:

 

1) A capacidade de evitar com maior frequência atitudes ridículas, na sua maior parte fruto do gene know-it-all que parece que só ser expurgado do corpo humano lá para os 20 e muitos (será aos 30?? ainda estou à espera...)

 

2) O facto de se saber cada vez mais do que se gosta e do que não se gosta, o que se quer e o que não se quer.

 

Toda esta filosofia chique para dizer que este filme é divertido e incisivo. Outras coisas boas: tem o Ben Stiller a fazer um papel normal (o que sabe sempre bem, sobretudo quando há Zoolanders no horizonte), tem o Mr. Girls (a representar alguém on the road to hipster success tal como ele próprio o tem estado a alcançar) e tem música bonita do James Murphy.

 

Vão ver.

 

7/10 

Jurassic World (2015) aka Como eu nunca me cansarei de ver filmes de dinossauros

por rita ralha, em 15.06.15

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Disclaimer: Quando era pequena (ontem, portanto), o meu amor pelos dinossauros estava ao nível do meu amor corrente pelo Fassy, logo eu ia sempre gostar um bocadinho deste filme, fosse ele muito bom ou muito mau.

 

Ainda assim, aqui deixo merecidas palavras de elogio sobre a glória deste Jurassic Park Jr. (o II e III são fixes, mas não contam - devia haver uma regra à lá envelhecimento do Porto Vintage: mínimo de 5 anos entre sequelas para garantir o apurar do sabor) que cumpre o seu dever de assustar, emocionar, rir e respirar de alívio, assinalando todos os checks obrigatórios:

 

  • Dinossauros "Bigger and teethier" para assustar
  • Dinossauros fofos para sentir um aaaawwww!
  • Heróis musculados e de olhos bonitos no clássico tom quanto mais me bates, mais gosto de ti
  • Muita gente a fugir, muitas vezes
  • Aquela musiquinha do John Williams que eleva o ritmo cardíaco e que quase deixa os olhos húmidos de felicidade quando vemos uma panorâmica da ilha, ou um baby t-rex ou qualquer outro momento que acentua a nossa "minusculinidade". 

 

Portanto, se gostaram do 1º, vão gostar deste. Se soltaram um "meh..." quando viram este poster na rua, fiquem quietinhos em casa a ver AXN ou algum outro canal pejado de policiais.

 

7/10 

Big Eyes (2014) aka o 1º filme de Tim Burton sem ossos, mortos, navalhas ou o Johnny Depp

por rita ralha, em 04.03.15

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Disclaimer: Eu confesso, sou uma pessoa que adora a Amy Adams no matter what. Faça o que fizer, ela impressiona-me sempre, sempre. 

 

E Big Eyes não é uma exceção. Por mais exuberância que o Christoph Waltz nos mostre, é a fragilidade da Amy que sobressai e que dá brilho ao filme (as cores psicadélicas também ajudam, vá).

 

De forma geral, é um filme giro e giro pode parecer aquela palavra de crítica preguiçosa, mas é mesmo a palavra certa para este caso. Vê-se bem, mas a nossa vida não perde nada se não o virmos. Vá, leva mais um ponto por ser do Tim Burton e ele ter resistido a não trazer o seu eterno charme gótico/qualquer-outro-adjetivo-semi-negro-que-queiram-utilizar (eu tenho autorização para dizer isto porque sou capaz de ver o Edward Scissorhands em repeat).

 

6/10

 

P.S.: Eu quero muito ser a Amy quando crescer <3

Fifty shades of grey (2015) aka muitas maminhas e pouco romance

por rita ralha, em 26.02.15

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Começo por vos dizer que li os livros.

[Momento para sentirem a vossa consideração por mim a descer, caso sejam pessoas fracas de espírito e facilmente influenciáveis]

 

Ora, quando um livro não é propriamente uma pérola literária e a sua fama subsiste graças ao mix incomum de romance e soft-porn disponível nas suas (demasiadas) páginas, não se pode esperar que o filme fuja muito a esta natureza. Isto tudo para dizer que basicamente achei o filme fraquinho em termos de história, ou não terminasse ele sem nos dar a conhecer o 3º ato (mais uma vez, culpa da autora do livro).

 

Ainda assim, não vou dizer que o filme é terrível, já vi muita coisa pior. Direi apenas que o filme não consegue reproduzir (e eu que li o livro, apercebo-me disso) a química entre as duas personagens que ali estão. No livro, há mais do que sexo e brinquedos, há uma miúda inocente apaixonada por um homem poderoso que nunca aprendeu a amar (e na minha opinião é este conceito simples que faz com que as pessoas queiram ler o 2º e o 3º livros). No filme, a miúda está lá (e é o único ingrediente que funciona muito bem), mas o homem not so much (a emoção máxima que consegui detetar foi um ocasional ar tresloucado) e de forma geral o argumento é fraco por ser muito apressado e com deixas pouco naturais (deixo-vos a foto ali em cima para sentirem um bocadinho desta falta de naturalidade). 

 

4/10