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dear cinema

Críticas simples e curtas.

Inside Out + Anomalisa (2015) AKA Como 2015 foi o ano em que a Rita viu animação como nunca

por rita ralha, em 19.02.16

Às vezes acontece-me gostar tanto de um filme que tenho medo de não conseguir dizer todas as coisas "certas" sobre ele. Rascunho críticas, mas não consigo chegar àquele ponto de sentir que disse exatamente tudo o que pensei sobre aquele filme e sobre o que ele me fez pensar.

Em 2015, aconteceu com o Anomalisa e o Inside Out. Em 2016, acabam-se as mariquices.

 

INSIDE OUT

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O obrigatório disclaimer: quem tem o privilégio de me conhecer, saberá que torço sempre o nariz quando me tentam convencer a ver filmes de animação. Não o faço por arrogância ou ignorância, simplesmente porque vi vários (já em idade adulta) e raramente me senti envolvida. Ainda assim, fui ver o Inside Out, pelo conceito aparentemente aliciante e por bons amigos terem dito "mesmo tu, vais gostar". Quem sou eu para não seguir conselhos de gente claramente boa (pelo menos a escolher os seus amigos)?

 

A história é original e é exposta de forma muito inteligente (fiquei a pensar que as crianças pequenas não verão exatamente o mesmo filme que os adultos). Retrata bem a dificuldade que (por vezes) é existir, independemente da idade ou do estado de maturidade da pessoa.

 

Foi a forma mais inteligente que vi até hoje de apresentar a multiplicidade de seres que nos "sentimos ser" ao longo da vida.

 

Gostei muito.

 

8/10

 

 

ANOMALISA

 

anomalisa-movie-image-1.jpg 


Algo escrito pelo Charlie Kaufman tem logo de raíz a premissa necessária para eu estar na sala, sentada ansiosamente antes dos anúncios começarem: é escrito pelo Charlie Kaufman. Basta lembrar-me do quanto adoro o Adaptation e de quão imensamente intenso achei o Synecdoche, New York.

 

Por ser um filme de animação, Anomalisa ganha a liberdade necessária para ser realista de uma forma que dificilmente um filme live-action conseguiria ser. Pequenos gestos e sons da vivência humana, habitualmente abafados pelo pudor do 'não podemos mostrar coisas não-sexy', são constantes neste filme e tornam-no incrivelmente real.

 

A história, mesmo não estando no máximo da escala de Retorcimento Kaufmaniano (para mim, não peca por isso), expressa de forma deliciosamente metafórica a procura tão tipicamente humana (e geralmente infrutífera) do perfeito, do diferente, do que sabe a novo.

 

Para mim, o melhor filme de 2015.

 

9/10